Cadê minha RN? O fim da exterogestação

Cecilia completa hoje, dia 10, 3 meses de vida. Oficialmente, ela não é mais uma RN e chegamos ao fim da exterogestação. Como o tempo passou voando… socorro!

Esse período inicial de vida do bebê é carregado de choros que vem e vão do nada, cólicas, desconforto e muita insegurança. Imagina que esse pequeno ser humano passou 9 meses tranquilos e favoráveis no aconchego da barriga e, do nada, sai de sua zona de conforto e tem que respirar sozinho, fazer força para se alimentar, regular a temperatura corporal e sentir uma série de sensações que nunca vivenciou.

É muito para um pequeno filhotinho, né? Em comparação com os demais mamíferos, nossas crias humanas nascem extremamente indefesas e frágeis. Nascemos com muito a ser desenvolvido, neurológica e fisicamente falando. E nem sempre esse desenvolvimento é suave para o bebê.

É aí que entra a teoria da exterogestação. Formulada pelo antropólogo inglês Ashley Montagu e difundida pelo pediatra americano Harvet Karp, a teoria considera esse momento de vida – do nascimento até os 3 meses –como a gestação fora do útero e defende que após o nascimento do bebê, tentar reproduzir as sensações que ele tinha dentro da barriga pode fazer com que o período de transição seja menos desgastante. Seria como um quarto trimestre da gestação.

E como colocar a teoria exterogestação em prática? Há uma série de passos que podem ser utilizados para abrandar o stress dessa estreia na vida humana. É como que, se à primeira dificuldade, o bebê pudesse voltar para a segurança da nave mãe. São recursos simples, que podem ser aplicados em casa e auxiliar no estabelecimento da paz para todos da família.

ACONCHEGO
Estar bem aconchegado traz segurança ao bebê e pode auxiliar, inclusive, na manutenção de um período maior de sono e sonecas. Uma opção é fazer o charutinho. Essa é uma alternativa boa principalmente para bebês mais agitados e inquietos. Você pode começar utilizando por um período maior de horas e ir reduzindo gradativamente a medida que o bebê for crescendo. Basta pegar um cueiro (aquele tecido mais encorpadinho, que tem o tamanho de uma manta) ou uma fralda de pano daquelas maiores e embrulhar o bebê. A imagem abaixo ilustra como fazer o charuto.

Charutinho

Crédito: Instagram @pediatriasemstress

Minha experiência: Consegui utilizar o charutinho com a Sophia nos primeiros dias de vida. Ela era uma bebê mais agitada e estar contida nos primeiros dias auxiliou em sua transição, principalmente nas sonecas do dia. Já com a Cecilia não foi necessário utilizar o charuto.

O ninho é um recurso simples que auxilia, e muito, principalmente no momento de sono dos bebês. Ele pode ser feito com uma toalha enrolada em formato de gota e coberto por uma manta.

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Redutor de berço da marca Colo de Mãe

Minha experiência: Optei por comprar um ninho pronto e regulável. Gostei bastante, pois ele é portátil e acompanha o crescimento dela. Nos primeiros dias, carregava o ninho para o cômodo que eu estivesse (sala / quarto / berço) e a Cecilia conseguia fazer sua soneca lá tranquilamente. Atualmente ela tem dormido algumas noites em seu berço e também feito as sonecas do dia lá, então deixo o ninho direto no quartinho dela.

BALANÇA, MAS NÃO PARA
Segurar no colo dando pequenas balançadinhas, dar uma voltinha de carro, segurar o bebê no colo e sentar na bola de pilates… são vários os recursos do carregar que ajudam o bebê a ficar mais tranquilo.

O pele a pele é um dos maiores relaxantes para os bebês. A troca de calor, a batida do coração materno, o cheirinho e aconchego são ingredientes mágicos (e acessíveis) para acalmar a cria. O sling é um grande aliado na hora do carregar. Em breve teremos aqui no blog um post específico sobre o uso de slings, mas segue o vídeo abaixo que demonstra como carregar um bebê RN utilizando a amarração cruz envolvente.

Crédito: Maira Pinheiro – criadora da marca Mãe que Vai

Minha experiência: Com a Sophia, usei o sling pela primeira vez quando ela tinha um mês de vida. Já Cecilia estreou no mundo dos panos com 3 dias de vida. SLING SALVA A PÁTRIA! Dá mobilidade, conforto e segurança para mãe e bebê. E não sufoca o bebê, como muita gente acha e questiona 😉 Também testamos e aprovamos os demais recursos.

BARULHINHO BOM
O bebê ficou ao longo de toda a gestação escutando os sons do órgãos da mãe, como coração e intestinos, numa altura similar a de um aspirador de pó em funcionamento. Imagina a aflição de nascer e ficar no meio do silêncio? Nos momentos em que o bicho tá pegando, ouvir os sons que lhe são familiares podem ser uma boa alternativa para reduzir o stress.

Coloque sua boca a uma distância de 15 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”, aumentando progressivamente o volume até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Também existem aplicativos que reproduzem esse som e também outros, como chuveiro, carros, trens, os chamados ruídos brancos. Busque por “White Noises” nas app stores dos smartphones. Tem vários aplicativos gratuitos com essa finalidade. No YouTube também tem filmes de White Noises.

Minha experiência: Usei muito o app, principalmente com a Sophia. Ela era bem agitada e os ruídos a ajudavam a se acalmar. O favorito dela era o ruído de trem. Já a Cecilia é uma bebê super tranquilona e não precisei fazer uso da tecnologia. O bom e velho “shhhhhh” manual e eventualmente ligar o secador de cabelo resolveram nossas demandas.

É DE LADINHO QUE EU LHE ACHO
Deixar o bebê de lado é uma alternativa naqueles momentos que nada mais está funcionando. A medida que vão crescendo e a visão vai ficando mais apurada, querem colo, mas estão curiosos em observar o que está acontecendo ao seu redor.

Minha experiência: Meu marido utiliza muito essa posição para segurar a Cecilia, principalmente a noite. Ela relaxa tanto que chega a dormir no colo dele, coisa linda de ver.

CHUP- CHUP
Na barriga da mãe, o bebê passa boa parte do seu tempo com o dedo na boca, praticando de forma não nutritiva o ato de sugar. Quando nasce, além da necessidade de alimentação, ele encontra na sucção não nutritiva relaxamento e segurança. Como fazer isso sem uso de bicos artificiais? Com a amamentação em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê sentir necessidade ou você perceber que ele precisa do peito. Mais do que garantir a nutrição do bebê e manter a produção de leite (quanto mais o peito é estimulado, mais ele produzirá), o peito oferece aconchego, segurança e aumento de vínculo entre mãe e bebê.

Minha experiência: Nunca ofereci bicos artificiais para as meninas. Sempre supri a necessidade de sugar delas com meu peito e nunca impedi que chupassem os dedinhos e mãozinhas. Naturalmente o corpinho delas passou a mostrar certo padrão entre as mamadas e ficaram nítidos os momentos de sucção não nutritiva. É possível sobreviver sem o uso da chupeta e sem correr os riscos que ela oferece. Em breve, falaremos sobre isso aqui no blog.

Vale ressaltar que o choro do bebê é a única forma de comunicação dele com o mundo. Os bebês até três meses não tem maturidade neurológica para fazer manha ou manipular os pais através do choro. Acolha sua cria, dê colo, carinho, aconchego.

Curtam juntinhos a exterogestação ♥