Ordenha de leite no local de trabalho: como se organizar

Um dos grandes dilemas das mães que retomam a uma rotina profissional é a manutenção da amamentação. Bate uma insegurança danada sair de uma rotina de peito livre para mamadas em poucas horas do dia, principalmente num momento em que a introdução alimentar ainda não foi iniciada e o leite é o único alimento oferecido.

Pode parecer complicado num primeiro momento, mas é super possível manter o bebê aleitado exclusivamente com leite materno mesmo após o retorno ao trabalho em período integral.

Em minha primeira experiência voltando a trabalhar, consegui manter a rotina de ordenha por cerca de 10 meses após meu retorno ao trabalho. Só parei de ordenhar quando a Sophia passou a não aceitar mais o meu leite quando ofertado na escola.

A produção de leite foi mantida com alguns processos e recursos que me ajudaram.

ORDENHA AO LONGO DO EXPEDIENTE

Faço pelo menos duas pausas para ordenhar leite durante meu período de trabalho: uma no meio da manhã e outra no meio da tarde. A ideia é simular que a ordenha é uma mamada, então procuro tirar o leite no limite de horário que a cria mamaria.

Com isso, sempre vou ordenhar com o peito mais cheio de leite, o que otimiza a minha produção.  O grande segredo é não deixar o peito encher demais. Isso evita questões  como engurgitamento e vazamentos.

Isso aprendi vivenciando situações como ficar vazando no meio de uma reunião por não ter me organizado para tirar leite a tempo… é bem desagradável e constrangedor 😦

Em relação ao tempo que gasto do dia ordenhando, cada saída me toma pelo menos 20 minutos (entre levantar e ir até o local onde tiro leite, organizar as coisas, ordenhar, lavar a bomba e voltar). Negociei essa demanda previamente com meus gestores, o que não me traz nenhum problema.

BOMBA PARA ORDENHA

Já testei fazer ordenha na bomba manual, na elétrica e também manualmente, tipo ordenha de alívio. De longe, a ordenha na bomba elétrica é a mais rápida e efetiva.

Há vários modelos disponíveis no mercado. Nesta segunda viagem, estou utilizando o modelo Swing, da Medela, que é individual. Recomendo. É compacta, pouco barulhenta, e super prática.

Há vários grupos de desapego materno em que é possível encontrar boas pechinchas para compra.

ARMAZENAMENTO DO LEITE

No meu local de trabalho, há um freezer disponível onde consigo guardar a ordenha sendo congelada. Numa geladeira, é possível deixar o leite armazenado por até 12h.

Para garantir a manutenção das propriedades do leite materno, deve-se armazená-lo em recipientes de vidro com a tampa plástica. Como os bebês não mamam quantidades cavalares de leite por mamada, o ideal é utilizar potes menores para evitar desperdício.

Eu utilizo potes de 180 ml. Nesse início de jornada fora, a Cecilia mama cerca de 2 a 3 vidrinhos nas 11h que fico ausente (geralmente ela mama bastante antes da minha saída de casa). Consigo ordenhar, em média, 3 vidros cheios por dia.

Comprei os potinhos na Rua Tabatinguera, no Centro, numa dessas lojas de essências que vende de tudo um pouco. À época, cada vidro com tampa custou cerca de R$ 1,40.

 

Para transportar o leite na volta ao trabalho, eu comprei uma lancheira térmica e um bloco de gelo artificial para manter a temperatura geladinha durante o percurso de volta para casa. Achei essas lindezas na Daiso Brasil. Recomendo!

COMO DAR O LEITE PARA O BEBÊ

Para evitar a confusão de bicos, que pode acontecer a qualquer momento quando são utilizados artifícios como mamadeira e chupeta (ótima leitura sobre no GVA – Grupo Virtual de Amamentação), pode-se administrar o leite em um copinho de vidro, tipo aqueles de pinga.

Em uma semana é possível treinar o bebê para que ele aprenda a tomar o leitinho desta forma. O ideal é que o treinamento não seja feito pela mãe, mas sim pelo cuidador.

A proposta do copinho é: a língua do bebê sorve o leite como se fosse um gatinho. Nas primeiras vezes, ele vai achar esquisito e pode dar pequenas engasgadas. Insista em horários que ele não estiver com muito sono ou muita fome.

Existem outras ferramentas que podem ajudar, como copo de bico rígido sem válvula ou colher dosadora. O importante é que o bebê não conte com a facilidade e fartura da mamadeira, que pode fazê-lo ter preguiça de sugar o peito da mãe.

E SE A PRODUÇÃO DE LEITE DIMINUIR?

Houve momentos em que percebi que a quantidade de leite ordenhado diminuiu consideravelmente. Para me ajudar a estimular a produção, abri mão de alguns truques naturais que para mim funcionaram:

Tintura de Algodoeiro: fitoterápico feito do extrato da planta medicinal Gossypium Herbaceum.  A tintura pode ser encontrada em lojas de produtos naturais ou farmácias de manipulação e não é necessário ter receita médica para comprar.

Eu tomei a do Laboratório Panizza. Eram 20 gotas diluídas em água 3 vezes ao dia, fora do horário das refeições. Senti que foi o que mais aumentou a produção quando precisei.

Chá de funcho:  Além de estimular a produção de leite, o funcho (ou semente de erva-doce) pode ser usado também para ajudar na cólica dos bebês menores. Basta a lactante tomar que suas propriedades passam para o leite materno. Para cada xícara de chá, utilize uma colher (sobremesa) de semente. Ferva água, adicione a semente e deixe a mistura tampada por 5 minutos ou mais. Coe e beba em seguida. Vende em lojas de produtos naturais ou nos empórios dos mercados municipais (melhor preço).

Chá da Mamãe Weleda: é composto de funcho, erva doce, alcarávia, melissa e rosa silvestre. Pode ser encontrado facilmente nas grandes redes de farmácia.

Não é fácil manter uma rotina de ordenha e concilia-la com a rotina profissional. Há uma série de fatores envolvidos, muitos deles que não dependem apenas da mãe. O fato é que é, sim, possível voltar a trabalhar e continuar super amamentando. Sou prova viva disso. Sophia está às vésperas de completar 2 anos e meio e continua mamando como se não houvesse amanhã.

Num outro post, falarei mais sobre a questão do desmame gentil, mas adianto que não penso em desmamá-la. Vou esperar seu tempo e prontidão para seguirmos de maneira natural. Percebo que ela ainda é emocionalmente muito ligada ao peito e que não é hora de quebrar esse vínculo que temos!

NOTA DA REDAÇÃO: O Mamães Gêmeas é pró – aleitamento materno e não apoia o uso de bicos artificiais. Isso não significa que julgamos quem utiliza, mas sim uma opção nossa em seguir com o que as evidências científicas indicam como o melhor para nossas crias. Entendemos que o maternar respeitoso permeia a liberdade de escolha da mãe em fazer o que lhe parece correto para seus filhos. Ninguém tem o direito de julgar ou recriminar a decisão alheia, pois não sabe onde o calo daquela mãe / família aperta ♥